Crítica: Metrópolis

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Metrópolis (Metropolis, Alemanha, 1927), do diretor austríaco Fritz Lang, é uma das películas que surgiu na década de 20 e se tornou importantíssima para o surgimento do gênero de ficção científica, trazendo efeitos e produções que até hoje soam revolucionadoras e grandiosas. O filme foi baseado num romance escrito por Thea Von Harbou, na época esposa de Lang (inclusive ele foi parceiro na concepção da obra), e traz a história de uma cidade na efervescência do imaginário do que seria o século XXI. Movida pelas máquinas, onde somente um único homem dominaria um sem número de homens, que metaforizam o proletariado submisso.

Joh Fredersen (Alfred Abel) é um homem que se considera inteligente e poderoso, a grande mente por trás da cidade de Metrópolis, a cidade super moderna que funciona impecavelmente graças ao trabalho de centenas de homens trabalhando arduamente no subsolo. Joh tem um filho, o jovem Freder (Gustav Fröhlich) que ao descobrir as condições em que se encontram os trabalhadores no subsolo da cidade conhece Maria (Brigitte Helm), uma garota que alimenta esperanças revolucionárias neles, e influencia o jovem Freder a virar uma espécie de mártir.

Freder não poupa esforços em movimentar esses trabalhadores para que lutem por condições melhores, tornando Metrópolis uma verdadeira ode ao socialismo e a revolta pós revolução industrial, que segundo os filósofos modernos, mecanizou o homem moderno. Isto só seria visto novamente com tanta ênfase quase 10 anos depois com o filme Tempos Modernos, do britânico Charles Chaplin. Ainda, a narrativa conta com o inventor Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), uma espécie de cientista maluco, bem comum nos estereótipos dessa época, que traz a tona a invenção de uma mulher-robô (a Maschinenmensch), que a principio seria o encarne de Hel, a mãe de Freder, falecida esposa de Joh e amante do cientista. Esse robô conduziria os homens ao seu destino, deixando claro a sensação pessimista que Lang e Harbou tinham do futuro dominador da tecnologia, que ainda andava a passos lentos nessa época.

Sobretudo, Metrópolis marcou a história do cinema pelo revolucionador modo de filmar. O filme foi o precursor do uso do processo Schüfftan, que consistia no uso de espelhos para inserir os autores em cenários em miniatura, a técnica se igualou a febre do 3D hoje, mas nos anos 30. Diga-se de passagem que nesse aspecto Fritz Lang fez uma verdadeira obra prima, com destaque para as cenas panorâmicas mostrando a moderna cidade com seus carros voadores e enormes arranha-céus modernos. A produção de arte é uma das mais incríveis, desde a construção da robô, já feita pensando na atuação e conforto da atriz, até os cenários externos e cenas com centenas de figurantes, Metrópolis se mostrava como um dos mais bem elaborados filmes da história do cinema.

O filme é cheio de sacadas geniais com metáforas de valor crítico imenso. Para aquele momento do cinema, a década de 20, ainda não se via muitos filmes com tamanho teor profissional tanto em termos de técnicas de filmagem, como em enredos detalhistas. Fritz Lang foi um percursor nesse cinema cuidadoso, não à toa foi um dos expoentes do Expressionismo Alemão, traduzindo em películas seu modo de ver o mundo. Ele foi também um dos primeiros diretores a ir para Hollywood refilmar sua obra com o famoso “jeitinho americano” costumeiro até hoje.

Para quem se considera um grandioso fã de ficção científica e se encanta facilmente pela criatividade, que mesmo escassa hoje e somente presente com muita tecnologia, de diretores que criaram incríveis realidades fantásticas, Metrópolis é obrigatório para se entender a história do cinema e os modernos processos de criação atuais no audiovisual.

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Comentários

  1. avatar Luciana Rielo disse:

    Poxa, começando em parabenizar o site que tem um conteúdo maravilhoso. Foi uma ótima descoberta. E a análise de Metropolis foi fanstástica, adoro esse filme um dos melhores do cinema sem dúvida, tive a sorte de vê-lo na telona com orquestra junto, uma experiencia incrível. Parabéns pelo site.

    1. avatar Emanuela Siqueira disse:

      Oba! Que bom que gostou Luciana. Deve ter sido lindo ter visto essa obra linda do Lang no cinema e com orquestra! Com certeza — e mais ainda se levarmos em conta a época — esse filme é de uma concepção perfeita! Obrigada pelos elogios e continue nos acompanhando! Um araço

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