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Three The Hard Way (1974), de Gordon Parks Jr.
Mas voltemos ao que interessa, que é Three The Hard Way.
Sempre achei o blaxploitation um dos parentes mais próximos do cinema de ação dos anos 80, ao lado dos filmes da Shaw Brothers. Talvez o blaxploitation seja aquele o tio bacana que usa ternos coloridos, sei lá. Sei que Three The Hard Way deixa essa influência mais clara que qualquer outro exemplar do gênero. Tem muito mais ação e violência do que era comum no gênero, com perseguições, tiroteios e o Jim Kelly distribuindo pernadas toda hora.
A trama é típica daquelas que NUNCA se tornariam realidade no mundo cinematográfico hipócrita e metido a politicamente correto de hoje: supremacista branco pretende exterminar toda a raça negra contaminando a água com um vírus que não afeta os de ascendência caucasiana. E ele tem um exército, um cientista e uma bandeira que lembra um SS, e é interpretado pelo canastrão Jay Robinson, que foi o Calígula em Manto Sagrado (EUA, 1953), mas deve ser mais lembrado por ter participado de A Rainha Tirana (EUA, 1955). E neste Three The Hard Way atende pelo incrível nome de Monroe Feather…
O grande plano de Monroe começa com a contaminação da água em Detroit, Los Angeles e Washington – claro, as três cidades onde vivem os três heróis. Jim Brown é Jimmy Lait, que tem seu amigo morto e namorada seqüestrada pelos vilões; Fred Williamson é Jagger Daniels, o personagem menos aprofundado, e Jim Kelly é Mister Keyes, mestre de caratê com roupas brilhantes e coloridas. A primeira meia-hora de filme serve basicamente para conhecermos os personagens, com algumas cenas antológicas no meio (uma perseguição com tiroteio em um parque de diversões e o espalhafatoso carateca derrubando policiais no meio da rua – e tudo sendo completamente ignorado pelos transeuntes), mas depois que os três se juntam, Three The Hard Way se torna definidor de parâmetros dentro do blaxploitation.
Diferente de outros filmes da época, o teor racial (apesar da história absurda) é mínimo. Three The Hard Way é mais calcado no espetáculo, nas cenas de ação, que na política e, por isso, talvez seja mais acessível para os menos íntimos do estilo.
E como todo exploitation que se preze, Three The Hard Way tem sua cena do peitinho, quando três motoqueiras vestindo roupas de couro coloridas são chamadas para torturar um prisioneiro dos três heróis. A única razão de ser da tal cena é mostrar as três atrizes peladas – entre as quais está Irene Tsu, cujo nome pode não significar nada, mas provavelmente já foi vista participando em uma das inúmeras séries que fez ao longo da carreira ou mesmo de alguns filmes mais conhecidos, como Um Milionário na Alta Roda (EUA, 1986).
Enfim, demorei anos para ver Three The Hard Way e acabou se tornando um dos meus blaxploitations favoritos. Como é comum nesse tipo de produção, as imperfeições adicionam muito mais do que atrapalham. As atuações pouco convincentes, os carros que explodem sem motivo aparente, o ferimento à bala que é esquecido depois de poucos minutos etc., tudo funciona tão bem que até parece estar lá de propósito! Um excelente filme para os iniciados e uma ótima porta de entrada para os interessados.
Cena do filme:
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